9.30.2010

O título fica pra depois.

Quem teve corações despedaçados, num abril decadente, num inicio de ciclos remoídos já desde sempre pelo inconstante incontrolável senso critico sem parâmetros, a não ser a própria opinião. As “verdades” guarde-as todas, sobra só o descaso.

Quem seria capaz de lidar com tantos massacres a queima roupa, quem seria capaz de suportar tantas inverdades ferindo a conduta e ferindo a dignidade.
O sorriso que não teria sido breve em alguns instantes fez-se por merecer rios de lagrimas incontáveis, de abraços mais que momentâneos, sub-julgado aos olhos alheios, sob as condutas tão permissiva, sob o pouco que lhe sobrará.

Onde houvera de fato a entrega total, ou seria apenas irreais sensações de desejos de mentes inquietas.

Não era pintor, não era poeta, não seria escritor e muito menos artista, mas encenava como ninguém no palco de ilusões, o retrato de felicidades abstratas, onde o muito lhe era pouco e não fazia diferença.
Era conveniente conforme a dança se encaixava e embalava a donzela de risos e traços fortes.
Até onde servira estava ali, sempre pronto para o seu famoso “para o que der e vier”.

Esfrega-se ainda o rosto num gesto de entender o que ainda não lhe parecia cabível, e no meio de tantas meias palavras sobra só a ânsia de súbitos mal-estares por tentar compreender o incompreensível, o desolador, e o sempre insatisfeito. Apenas no intuito de recuperar aquilo que perdera no meio do caminho tortuoso, seu amor-próprio, apenas seu amor-próprio.


♫ Playing: Pearl Jam – Betterman

7.14.2010

"Faça o melhor que puder. Seja o melhor que puder. O resultado virá na mesma proporção de seu esforço"
Gandhi

Caminhando pela rua, sentira o frio congelante, aquele mesmo frio que sempre sente ao acordar, mas agora estava o dia todo. Vinha pensando nas sensações, nos fechamentos de ciclos, nas prioridades da vida, nos sonhos de adolescente, na adolescência...

Lembrara da infância, dos primos pequenos e da mesma idade que a sua, ou dois, três anos mais velhos...
Do medo do mar, das ondas, dos castelos de areia, dos passeios, dos parques, do contato com a natureza, dos saltos e pulos, da piscina fria, que não parecia tão fria, do pai acolhedor dando a sustenção, e da mãe o sentido pra uma vida real feita de ilusões. Das brincadeiras de casinha, e dos ciclos que a vida dá para chegar até o esperado por toda criança: ter uma família.

Na maturidade precoce e única de mulher decidida, que sabe da vida, que sabe do mundo, mas que às vezes tem medo de enfretar o nevoeiro.
Da rebeldia concreta da adolescência, e de acreditar no mundo melhor, na liberdade desacerbada, do que era coerente ou não, dando sempre o ponto de vista que lhe cabia. Nunca sendo alheia a si mesma..

Na inteligência e na facilidade e percepção pelas leituras, pelo ilógico, pelo abstrato.
A paixão por Vinicius de Moraes, e por todo amor que houver nesta vida, servindo de retrato as letras, uma a uma, verso a verso, dando um poema, tão lindo, mas tão lindo que ainda se perguntara: Isso pode se tornar real? Isto é amor de livro ou de novela apenas? Será concreto?

Passos largos, sorrisos timidos, olhares cruzando o tempo todo, às vezes baixo...
Tinha uma onipotência em estufar o peito e dizer: "Faço o que quero, faço o que acho certo, isto é a minha personalidade, faço o que tenho vontade, e você não manda em mim... "
Se apaixonara diversas vezes, algumas vezes se deu mais do que recebeu, algumas vezes foi tão integra, algumas vezes se perdeu. E perdeu muito mais se perdendo.

Sofreu de amores algumas vezes, perdeu quilos, perdeu sono, e o ao contrário támbém aconteceu. Brigou com a balança, brigou com o mundo, brigou consigo mesma.
Ouviu diversas vezes aquelas músicas, sonhou com o "príncipe". Achava que a maioria dos sapos eram príncipes.

Se calejou, doeu. Sofreu uma despedida para sempre, se viu esvaziando o peito e se entregando a apatia do amor. Viu seus pés fincados numa plataforma e seus olhos no céu. Pegou bronca e raiva de cortes de fumaça pelas nuvens, achava o norte da Europa um verdadeiro horror. As vidas paralelas se tornaram perpendiculares e opostas. Sul X Norte. América X Europa. Era difícil conseguir sorrir olhando o mapa geográfico.

Quis dar a volta por cima. A ausência da presença. Da presença de alguém que fora importante, mas que não estava mais para sorrir do seu riso. Para tardes regadas aos pés pra cima, edredons revirados, sessões pipocas, bares, restaurantes, almoços de domingo, conversas com familiares. A casa branca com o Rotwailler no quintal nunca foi concretizado, sobrou a casa branca com o gato cinza, e sobrara ali a menina encolhida nos seus medos.
Sensação alheia nunca soubera na exatidão. Talvez tenha sentido falta, pelas inúmeras ligações onde o bina registrava 1111111. Pelos alôs ecoados, pelos choros, e pelos e-mails gigantescos e semanais, ou quinzenais.

Se deu conta que precisara viver, abriu meio caminho, meio caminho pra então suposta "pessoa errada de sua vida".
Colheu o que plantou, se ausentou totalmente de si. Padeceu suas vontades e seu plano de infância. Todo o inverso acontecendo, remoeu. Sofreu mentiras a distância. Pedrificou. Se tornou rabugenta, inconformada, e descrente do mundo inteiro.
O sentimento se tornou efêmero, e entitulou o como: "AMOR ADOLESCENTE".
A despedida veio tardia, mas foi um fim. O ciclo se fechou naquela inicio de ano, após três, quatro anos. Mas o ciclo se fechou.

Limpara lágrimas, limpara coração. Mas o cinza permanecia. Escondia em sua magreza acentuada, atrás de seus cabelos, atrás da braveza destemida uma menina fragilizada, que mais uma vez estufava o peito para dizer que os "Arco-íris nunca mais".

E percebera mais uma vez que é impossível viver só, viver sem amor, viver sem um sentido exato das coisas que poderiam lhe fazer bem. E o medo ali, sempre em primeiro lugar: "PRA QUE? E eu lá preciso de alguém"

Sentia medo de ser feliz. Medo de faltar, de ausências, de renúncias. Medo de não ser aceita pelo que era, medo de não parecer ser boa o suficiente.
Medo de abrir a porta e deixar a pessoa ir a busca de uma felicidade, em busca de materiais.. SIMPLESMENTE MEDO. Apenas seu olhar não escondia nada...

Mas nada nesta vida é definitivo. O destino uniu duas pessoas. A mocinha e o mocinho. Uniu pela igualdade, pelas frases breves, pelas filosofias de vida. Após dez anos. Parecia até mesmo presepada da vida. E era muito bom pra ser verdade.

Amar, aceitar, respeitar, e desejar, na mesma amplitude, na mesma devoção. Reciprocidade era uma palavra que definiria tudo. Tudo e mais um pouco. Amara, fora amada. Desejou o tanto quanto fora desejada, aceitara o tanto quanto aceitava.

Dois pesos, duas medidas, duas pessoas olhando numa única direção. Mostrando que a vida podia ser novamente o misto de cores daquele arco-íris. Sorriu colorindo a vida. Chorou de felicidade. Teve medo da perda no seu total. Sofreu, se sentira as vezes impotente de poder fazer mais. Alivou-se com resultados. Abraçou, amou, beijou numa proporção de intensidade sem tamanho.


Mas em cima do banquinho todo mundo pode cair, colocar uma escada em cima do banquinho pode causar um tombo catastrófico... "Incomparavelmente, único, encantador, apaixonante, eu amo você...(silêncio), eu também."
Amores incondicionais, palavras ditas com o coração, com a alma...
Tudo andou rápido demais. Rápido demais porque era intenso. A menina abriu seu coração tão frio, para se doar e dar amor, e para recebê-lo. Nem sabia o porquê desta intensidade, nem tentava mais entender, apenas sentia. Plena, sincera.. INTEIRA e INTEGRA.

Mas nunca houvera de fato ali, a aceitação por completo, só de um lado do tabuleiro.
E entre você x preconceito familiar + alguma coisa que ela nunca soubera de fato. A renúncia: para a menina; a escolha da corda: ficou para a 2ª opção. E mais uma vez ausência, e mais uma vez desamor, e mais uma vez solidão, não apenas de uma pessoa. Mas sim de planos concretos, sonhos..

Há necessidade do fechamento de ciclos. Mas a menina ainda está lá, presa ao abril despedaçado.


"Não há porque desistir... desde que você faça e seja o melhor que puder..."

6.28.2010

"Há tantas coisas que me faziam feliz,
hoje já não tem mais importância,
Muito menos sentido"

6.27.2010

"...And I think it's gonna be a long, long, time..."

Corre daqui, corre de lá. Passa reto se tiver alguém. Não quero que me vejam. Ninguém. Ninguém precisa me ver, e não preciso me mostrar. Só o fato de passar ali, fez embolo no estomago. Em vão? Em vão? Perguntas sem respostas. Eu não as quero. Cds, textos e cartas. As vezes acho que foi jogada no meio do rio. Apenas acho. Acho, mas não me façam ter certezas.

6.21.2010

Reflexões, apenas mais uma

Tenho uma visão e um relacionamento altruísta com as pessoas. E acabo de ter algumas concepções em relação a quase todas.

Existem pessoas e “pessoas”. Eu amo ser bem tratada, amo tratar bem as pessoas ao meu redor, e se elas forem especiais e importantes, eu redobro toda a atenção, todo o carinho, toda consideração, e principalmente TODO AMOR.

Algumas não sabem lidar com a cortesia, alguns dispensam, ignoram. Acham que são auto-suficientes o bastante para desprezar o que tem a ser oferecido.

Pessoas descartáveis? Não, as pessoas não são descartáveis. Engraçado que tenho quase sempre todos os motivos do mundo para odiar diversas pessoas, querer longe e nunca mais nem se quer saber das tais. Mas a minha, se é que pode ser chamada assim, "bondade", tenta sempre enxergar o lado da pessoa, tenta entender a todo custo, e SEMPRE, SEMPRE perdôo e volto atrás. Continuo fazendo as mesmas coisas, ou quase todas, continuo me doando sem esperar nada, a não ser um “obrigado”.

Por que é tão difícil as pessoas aceitarem ser bem tratadas? Por que tentar deletar as pessoas ao redor como se não fossem nada? Perguntei-me diversas vezes se eu era ANORMAL por não conseguir simplesmente esquecer a existência, ou se eu estava muito em sã consciência em querê-la sempre perto.
Acabo de ter respostas pra toda minha vida: SIM, EU SOU NORMAL. Apenas sou igualzinha a maior parcela de pessoas deste mundo. Não digamos que perdoar e desculpar sejam algo em maior parcela de pessoas, mas graças eu também faço parte desta.

Há 23 dias tenho refletido como ninguém. Há 23 dias por me indagar muito sobre o comportamento alheio e sobre os meus comportamentos não durmo direito. Há 23 dias “sofro” de uma magreza exagerada por tudo isso me consumir demais, não só o fato de pensar, existem outros fatores, como a tristeza que se encostou em mim... me pegou de refém.

Pelas falta e pelas respostas de todas as minhas reflexões e por ausências que não consigo digerir “sofro” de uma depressão que quando penso que todas as sensações ruins foram embora, ela resolve tocar novamente a minha porta.

Será que temos a capacidade de falar, de demonstrar qualquer coisa que seja por ser proveniente de um costume? Não, não acredito nisto, acredito que tudo seja proveniente de sentimentos.

Por que temos uma visão tão errônea de nós mesmos a fim de agradar aos outros? Por que anulamos tanto as coisas que acreditamos e não suportamos? Não sei. Só sei que já lavei meu rosto diversas vezes, nestes 23 dias.

E me indagando sobre tudo isso, só posso crer que realmente sou verdadeira quando digo e faço as coisas, principalmente se tratando de sentimentos.
Não suporto a idéia de ter amado tanto alguém, assim como amo, e não ter feito parte de um todo em sua vida, de conhecer apenas uma pessoa pela pequena parcela que ele me mostrava ser, ali na minha frente num contexto eu e você, posso ser qualquer coisa. Mas quando o contexto muda para as pessoas ao redor, aí as coisas mudam de figura.

Perguntas que ecoam em mim: Será que fui banalizada, pois era uma aversão a uma sociedade hipócrita? Ou será que fui omissa por não ter a profundidade exata da outra pessoa?

Por que seria tão insuportável ter alguém que só faz bem ao outro, mas que por não ser padronizada não serve? Por que temos manias de julgar as pessoas como sendo “ruins” se elas não cometeram nenhum pecado extraordinário? Porque generalizar as pessoas por um ato?
Por que não nos permitimos sermos felizes sem as opiniões alheias e tudo que nos cercam? Seria medo? Medo de errarmos? Errar causa uma sensação de falhas, e todas as falhas sempre queremos transferi-las a alguém.
E digo: TEMPORARIAMENTE. Pois se for analisar que cada ato cometido por nós, mas que seja pensado por outro, nos causa a mesma sensação, só que futuramente.

A velha historia do “E se tivesse feito, e se tivesse falado, e se tivesse tentado”... Causa-nos a falha de FALTA DE PERSONALIDADE. Erros, erros e mais erros. E o que somos nós na imensidão do mundo, meros mortais que apenas viemos neste mundo para aprender com erros e acertos. Redimir-nos, nos purificar, encontrar nossa luz, nossa evolução.

O ser humano tem a tendência em dificultar as coisas, de querer se auto-sabotar. Porque ser feliz dói.

E isto é viver. E eu não quero passar nesta vida apenas existindo, quero deixar marcas as pessoas. Quero cultivar cada sentimento meu, com toda a grandeza que se pode sentir, fazer diferença na vida das pessoas, ser mais que um ícone, ser mais que especial.
Pois desta vida não levamos nada a não ser os nossos atos e gestos de amor cometidos. E tenho certeza, estou feito tatuagem em você

6.16.2010

" Saudades...


"E é só você que tem a cura para o meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto. De tudo que eu ainda não vi." Sobre a saudade, podemos encontrar definições como "Sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória à situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável"; ou "Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido". Como sinônimos, encontramos Lembrança e Nostalgia. Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro. Não podemos ver nem tocar, mas sabemos o quanto é grande. Pode ser o sentimento que alimenta um relacionamento amoroso ou apenas o que sobra dele. Pode ser uma ausência suave ou um tipo de solidão. Pode ser uma recordação daquele momento e daquela pessoa, que um dia, mesmo sabendo ser impossível, ousamos querer reviver e rever. É a dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir. A saudade se combina com outros sentimentos e procria-se. A soma da saudade com a solidão é igual a Dor. O resultado da saudade com a Esperança é a Motivação. Saudade é uma só, em diferentes palavras. É comum encontrá-la grafada nas lápides em alusão a dor da ausência provocada pela morte. Mas na Literatura e na Música é um tema crônico. É quem arquiteta a estrofe e conduz o tom. Não importa o gênero literário ou o estilo musical, não importa o autor, a época ou a situação Saudade é um registro fiel do passado. É a prova incontestável de tudo que vivemos e ficou impresso na alma. Ao confessarmos uma saudade, na verdade, estamos nos vangloriando de que, ao menos uma vez na vida, conhecemos pessoas e vivemos situações que foram boas, e serão eternas em nossa alma. Nutri-la, é alimentar o espírito e a própria existência..."

Não consigo


Não consigo colocar meus pensamentos tão transparentes aqui. Me sinto fragilizida, mostrar isto a outros seria realmente deitar ao chão e esperar o pisoteio.

E tem tantos textos, tantos pensamentos querendo fervilhar. Mas não será hoje.
Não será hoje que desnudarei toda a minha essencia em forma de palavras...
Do abstrato tornar-se algo concreto. Às vezes não precisa. Ás vezes é necessário. E muitas vezes é fundamental. Mas não será hoje.

5.31.2010

E quando o fim for inevitável?

Todo mundo tem uma história triste pra contar.
Uma decepção para se viver, uma grande paixão, um grande amor pra contar, e pra sofrer de saudades, de lembranças.

As lembranças que ficam são eternas, misturada com as saudades daquilo que nunca chegará, e nunca será do jeito que um dia se projetou. A paixão desperta os mais nobres sentimentos dentro de si, e com o tempo ele pode vir a não se transformar em amor. Mas e quando se transforma? O que você faz, como fazer aquela pessoa que você colocou todas as suas idealizações, todos os seus objetivos, todas as suas verdades, desnudando-se por completo, a trilogia: do corpo, alma e coração, saia da sua vida, saia dos seus pensamentos?

Teimamos em acreditar em mudanças, acreditamos em recuperar o amor, o respeito, quando ele já não está mais presente dentro do outro coração. Temos a esperança de acreditar que as coisas ficarão bem, e pra sempre. Mas não é assim que as coisas acontecem. Acabamos por empurrar com a barriga algo que não vingará, algo que não sairá daquilo que já está acontecendo. Suportamos e engolimos qualquer coisa a troco de um pouco, por amor apenas ao próximo e não pelo amor próprio.

Esquecemos nossa identidade em algum canto, largado numa gaveta funda e de cor preta, apenas enxergando o outro como uma verdade. Importamos-nos mais com o nosso sentimento, como se fosse algo tão bom, e capaz de suportar tudo, mas esquecemos que o amor do outro, o carinho do outro, o respeito, a reciprocidade tem que ser SEMPRE algo evidente, algo latente e principalmente nos dois.

O entrelaçar dos dedos, as mãos aflitas a procura do outro, os abraços quentes, os beijos ardentes, as palavras de carinho, de respeito e consideração, tudo isso é fundamental para que haja um relacionamento saudável.
O choro é algo doido de alguém que busca desconstruir tudo, que pretende desfazer todas as sensações, mas que não consegue, pois está ainda tão ligado àquilo tudo. Nunca me vendi por coisas baratas, nunca despi meus sentimentos a troco de nada. Sempre busquei a reciprocidade, e se algum dia eu me doei, eu me doei porque estava recebendo.

E até quando eu recebi? Tentar saber o momento exato que era a hora de partir não trará a minha dignidade, a minha auto-estima, o meu eu.
O meu ego e meu orgulho estão feridos e talvez por tudo isso não consiga respirar sem ao menos sentir que meu peito doa tanto, até o barulho da minha respiração me incomoda.

Me incomoda porque sei que não tem aquele que tanto me fez bem um dia ao meu lado, e só sobra o vazio. São os ecos dos passos das escadas, são os cantos vazios, as palavras soltas, os presentes em cima do armário, as cartas escritas uma a uma e a mão livre, as mensagens e os telefonemas, o cheiro do banho, do quente da água escorrendo, do cheiro do perfume das lavandas e das colônias, da brisa, e do vento quando resolve bater e desarrumar o cabelo, dentro disto tudo ainda está sua presença, e quando fecho os meus olhos eu ainda sinto tudo como se estivesse tão perto de mim.

Tudo me leva a uma só pessoa, tudo me traz as suas lembranças e a sua presença, que eu sei que não estará mais comigo.Não dá pra dizer que as coisas são passageiras dentro de nós. Pois existem pessoas que quando passam em nossas vidas, levam sempre um pouco da gente, e deixam um pouco delas. E quando essas deixam algo tão forte, tão marcado quanto a tatuagem... Nunca se apaga.
Algumas pessoas são eternas dentro da gente. Algumas, poucas... no meu caso é uma só.

Não, não queria ninguém por dó, por comodismo, e nem por costume. Queria alguém que quando me olhasse, sentisse o mesmo, ou quase o mesmo. E eu achei que este mesmo era agora.

Era o ontem...O ontem que tem sede, ânsia e vontade de ser: ontem, hoje e pra sempre.

9.28.2009

A idéia concreta

A idéia de vir aqui e vomitar tudo o que tinha que ser vomitado, não agrada. Só sobram azias e mais azias e desconfortos gastrointestinais.
Chega uma determinada idade de nossas vidas, que optamos por algumas coisas em pról do bem estar, da conciliação, do bom convivio, então criamos regras de normas e condutas.
Tudo vira uma grande caixa de decisões que teimamos em chamá-la de amadurecimento. A vida por diversos momentos nos mostra que os acontecimentos tem um porquê, seja ele qual for. Seja pra melhorar, pra termos lições e mais lições, sermos mais tolerantes, mais pacientes, e na verdade acabamos por crer que a vida é uma só, e que temos que vivê-la a cada instante como realmente fosse o último de nossas vidas.
Aproveitar cada instante, gravar cada coisa em sua mente, em forma de lembranças, em forma de saudades. Digo assim, sendo ou um outro, mas eu prefiro as lembranças, as saudades sempre são sinonimos de dor, de algo que foi e não volta. Lembranças são coisas até que boas, que até podem fazer parte do seu presente, mas que são momentos que podem ou não retornar.
Voe como se nunca pudesse mais ter asas para voar, pule como se as pernas fossem lhe faltar, e principalmente ame muito como se nunca mais pudesse amar.
Seja inteiro, seja integro, desfrute da brisa que chega de manhã nos acariciando o rosto; tome o banho mais demorando possivel, pensando em que a água não mais terá.
Tudo é único, momentos são únicos. Demonstre tudo. Seja tudo pra alguém. E permita ser tudo para alguém. Quem sabe amar, sabe receber. E vice-versa.

Como já dizia Florbela Espanca: "...A vida? Quero viver aos longos tragos..."

9.23.2009

Inteira

Sim, todo mundo odeia textos pessimistas. Então, quem vai ler este texto e pensar "Pow, escreve um texto positivo, homenageando a beleza, contando piada", melhor ir assistir a novela. Primeiro porque hoje não estou solidária com vontade de ser palhaça pra ficar aqui contando piada. Segundo porque nem a risada que o palhaço arrancou de você é de graça. Então, vá assistir a novela e não enche o saco. E eu quero falar de mim. E hoje não tô boa. Cuidado para não voar uma letra no meio da sua testa. Meia letra seria o suficiente pra deixar um hematoma. Mesmo porque eu só me sinto a metade. A metade do corpo, do cérebro, do coração, principalmente. Parece assim, uma paralisia de gente histérica. Mas deixo claro que estou mais pra neurótica. Meu corpo vem refletindo a meia vida que levo. Tudo tem meia função. O ônibus que não impede de ir e vir, mas humilha. O salário que dura meio mês e compra só a metade do que se precisa. A minha casa, que é meio nossa quando se paga o aluguel. Os amigos que estão meio distantes e nunca perto o suficiente. Gente que tem coragem de ofender quem ama, machucar, esfolar. E depois sai por ai com cara de boa gente, de cultura pacífica e educação impecável, assoprando quem lhe é conveniente. Tudo imagem que existe por fora mas não por dentro. Sentimentos tão nobres quanto burros, divididos em dois pólos que se estranham. As palavras, ah, estas vilãs amigas que chegam inteiras, acrescidas do dobro do seu valor semântico, o que implica a soma de uma metade, seja ela fantasia ou realidade... E mesmo quando lhe faltam letras. Para bom entendedor meia palavra basta e ainda é começo, uma frase velha, mas tão atual. Meias verdades, meios amores, meio ódio que não tem plural. Meio frio, meio calor, paciência transbordada meio palmo acima da testa... E todo dia acordo [como se fosse para lembrar que não tenho o direito de pisar na vida por inteiro] com um pé com meia e o outro sem. Um deles tem o privilégio do aconchego, do cuidado e calor. O outro aprende a resistência ao frio. Erros sanados com carinho, acertos estimulados no tapa. E vice-versa. Beijos meia boca, desculpas meio esfarrapadas e verdades ao meio. Sento no meio-fio sem a metade que procuro, que minhas meias certezas ou dúvidas não me deixam afirmar com vêemencia se é a minha ou a do outro. E penso que, talvez, possa completar o vazio com outra metade igualmente vazia. Bom-humor que irrita o mau-humor que se vinga. Choro e sorrio, repartindo um horizonte no meu rosto, um mundo pra baixo e outro pra cima. Invoco meu masculino violento para legitimar meu feminino delicado. Lágrimas, ora sutis ora agressivas. Se o copo está meio vazio ou meio cheio, tanto faz. Saciar não admite meio termo. E já não sei quem é mais 8 ou 80 e quem perambula do 1 ao 79... Estou meio triste, sem realmente querer dizer que a outra metade está feliz. Não estou nem um nem outro. Sou metade corpo, metade alma. Tento explicar a mim mesma que ninguém, nem eu, pode estar meio viva meio morta. Mas não me convenço integralmente, porque sou uma inconformada. Será que consigo continuar completa, mesmo ajoelhada sobre o espelho repartido? Consigo a outra fração de força, para recolher meus pedaços? Será que engulo a parcela rota de tanta integridade bi-partida? Me enjoei do costume de comer uma vida meio mussarela, meio calabresa.

7.25.2009


Sutilmente
Skank


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti (x2)
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti


6.01.2009

In the Dark.


In The Dark
DJ Tiesto
Composição: Tiesto Feat Christian Burns

When it seems
Like the world around you's breaking
And it feelsLike there's no one else around you
And it's quiet
There's a silence in the darkness
And it soundsLike the carnival is over
As you walk
In the crowded empty spaces
And you stare
At the emptiness around you
You wanna go
To the city and the bright lights
Get away
From the sinners that surround you
Cuz I will be there
And you will be there
We'll find each other in the darkAnd you will see
And I'll see you too
Cuz we'll be together in the dark
Cuz if it's coming for you
Then it's coming for me
Cuz I will be there
Cuz we need each other in the dark
And if it terrifies you
Then it terrifies me
Cuz I will be there
So we've got each other in the dark
As I look into the sky
There's sparks bright as ice
You want me to take you over there
I want you to stay with me
Cuz you're not the only one
The only one
No, no
Don't worry
You're not the only one
Cuz if it's coming for you
Then it's coming for me
But I will be there
Cuz we need each other in the dark
And if it's panicking you
Then it's panicking me
But I will be there
So we've got each other in the dark
In the dark
In the dark
We'll need each other in the dark
In the dark
In the dark
We'll hold each other in the dark
Now we're saved together in the dark
Cuz we've got each other in the dark
Em definitivo, uma das músicas que ... (três pontinhos).

5.03.2009


Sempre achei esse negocio de auto-exposição uma opção bem ruim/perigosa de se viver. Aí se passaram os anos, e me vi totalmente enfiada nesse negocio de clicar daqui, clicar acolá, dizer muito, dizer pouco mas dizer tudo, e pra quem quisesse ler e ouvir. Acontece que a felicidade alheia incomoda algumas pessoas e paguei um preço alto por isso. Atrai pessoas que não precisava atrair. Fui julgada por uma porção de pessoas. Me expus. Expus demais. Aí veio uma calmaria ... E eu desencanei de tudo isso mas acabei por retornar. (E mais uma vez tudo aquilo acima aconteceu).

A calmaria veio de novo, e eu vou fugir enquanto é tempo. Não direi: NUNCA MAIS DESSA AGUA BEBEREI. Mas menos, né? Menos né gente. O negocio está aberto e vez ou outra aparecerei por aqui.

Viver a vida aqui fora é muito mais legal. E com o detalhe que eu não preciso contar e nem mostrar pra todo mundo.

Isso é fato.

4.05.2009

A industria ...

A industria do sexo é relativamente o que move as finanças, tudo de uma certa forma te leva ao que? Ao Sexo.

Então pensaremos assim, abrirei uma fábrica de camisinhas ultra resistentes, finas e etc e tal, e pronto, estarei RICO. Certo? Nããão! ERRADO! Ficará pobre. Já que já existe inumeras marcas e muitas pessoas hoje em dia não a usam.

Não a usam e eu digo isso porque em pelo menos 3 anos, vejo amigos, e mais amigos, tendo filhos a torto e a direto, um atrás do outro. Até aqueles remotos que achava que não iria ser tão logo. Tão logo porque julgaram e ainda usaram a brincadeirinha infame quando eu fiquei grávida: Existe camisinha, você sabia?

Enfim, o mais alarmante, é que se paramos pra pensar, não é só o filho que poderá vir, mas uma doença sexualmente transmissivel. E você ainda ouvirá: É tanto tempo de namoro. Eu confio!
Então está bem bonitão! Vamos ver quantas pessoas durarão até o final "saudaveis". O mundo anda perdido e todo ao contrário.

Sorte para a area da saúde que estará esbanjando atendimentos, coisa que na verdade nunca pára e nunca irá parar, mas será absurdamente rotineiro algumas doenças.

Pelo amor!

4.04.2009

1001 palavras de amor, 2002 palavras de horror


Uma mesa de bar esconde tanta coisa. Reparem, todo mundo senta, todo mundo bebe qualquer coisa, nem que seja a coca-light com rodela de limão, alguns acendem cigarros, mas todos conversam sobre algo. Palavras de amor, palavras de horror, e palavras de dor.

Justificam o injustificavel. Tentam doar idéias, pensamentos e principalmente ideais. Alguns não querem nada, na verdade. Nem trocar idéias, nem pensamentos e nem ideais. Servem só pra figurar o ambiente e secar o copo. (O que não é meu caso ).

Brindemos a vida.

Adoro reencontrar pessoas que há tempos não vejo. Algumas parecem que lacunas não ficaram, pelo simples fato de não haver estranhamentos. Mas em determinados casos não consigo encarar muito tempo frente a frente. E não me perguntem o porquê.

3.14.2009


Qual parte pensa que ainda pode ser assim, tão inerte a tudo. Como se tudo estivesse da melhor forma possível, quando na verdade não, não está nada bem. Passam filmes, passam as histórias, e as palavras. Realmente ando cansada, de mim, das pessoas, das coisas...
Abaixar a cabeça pra tudo falando amém e amém, e mais amém. Um saco. Um porre. E são tantos assuntos a serem retratados.
Numa dessas noites rotineiras ouço palavras que me deixaram totalmente perplexas, me surpreendeu. Não, eu realmente não esperava que algo fosse surgir dali. Não aquelas palavras, as aprovações vem de onde a gente menos espera. Justo ali que nunca me apoiou em nada do que fosse o assunto “ELE”. Mas como nada tem retorno, o apoio veio tarde demais.
Talvez estejam percebendo coisas que nunca tinham parado pra abrir a mente e agregar, só conseguiam ver o próprio umbigo fundo.
Nada tem me doido muito a ponto de fazer com que algumas "lagriminhas" se mostrem. Por isso essa sensação de vazio. De vazia. Você me ferra e eu te ferro? Não, eu simplesmente te ignoro. O que ando guardando no peito de tão ameaçador que não me faz ter vontade de explodir como sempre fiz.
Recebendo noticias de lá. Dói? Não. Não olham pra minha cara. Dói? Não. Me prometem e não cumprem. Dói? Também não.
São tantas coisinhas que ando digerindo, sobe um ânsia na boca do meu estomago, mas nem o xingo vem. Nada vem.
Conversas estranhas, tratamentos mais estranhos. Na verdade gostaria que o inverso disso tudo acontecesse, mas não vejo possibilidades e me deparei com alguém conformado. Alguém que espera sem esperar.Isso é amadurecimento? Não creio que seja. Nem de longe.
E quando é que o relógio vai explodir? Quando ele vai apitar dizendo que tem algo errado e que não quero nada disso pra mim?
São tantas sensações emboladas, que já não tenho quem sabe até o sentimentalismo... Sentimentos mortos não movem moinhos e não faz diferença.
Essa indiferença conforta? Talvez seja o conforto mais hipócrita de todos os tempos, e que já vivi. Apesar de querer, não me vejo lutando por nada do que eu realmente quero, ou me abrindo totalmente a ponto de ter tudo o que sempre quis um dia.

“Vivemos esperando dias melhores,
Dias de paz, dias a mais...
Dias que não deixaremos para trás.
Vivemos esperando o dia que seremos melhores
Melhores no amor, melhores na dor,
Melhores em tudo...
Vivemos esperando o dia que seremos para sempre....”

Já foi tanto desconforto, que o máximo do desconforto que me apresentam hoje, virou pouco (Será?).
Qual a razão de tudo? Se é que existe alguma razão nisso tudo.
Tão inerte que mal e porcamente solto um texto aqui, sem muita expressão e sem muita vontade de dizer muito. E o pouco que digo, na verdade não diz muito, a não ser pra mim. Buscas constantes pela palavra semi-dita. Pela intimidade em desnudar as palavras. (É o proposito ?)

3.07.2009


É difícil pensar em textos quando o seu corpo inteiro parece inerte. Depois do efeito do Plasil, da pressão que provavelmente foi ao chão, o que mais queria é um abraço. Só isso seria suficiente pra uma prova de carinho, verdadeira e sincera.

2.24.2009

♫ Close to you ♫



E é assim que eu me sinto quando estou perto de você. Com saudades de mim...

2.20.2009

Não sei necessariamente o que me deixa tão abatida a ponto de engolir um choro, a ponto de me sentir desconfortável diante de tanta coisa.

Um choro quase que oprimido pela moral, pela sensação de perda. A perda do que nem se teve, porque nunca lhe foi de direito.

A dor de quem queria ter, mas não teve. A consciência grita e sabe que não tem como exigir, não tem como dar uma de louca. E eu dei. Tentar achar um errado e apontar o dedo na cara, não é o que resolveria agora. Quem é o intruso de onde, e quem é que deve o que e pra quem. E seria realmente isso?

Tão inerte, não me sinto bem, e não me sinto no direito de cobrar nenhum tipo de explicação. Elas não seriam válidas, elas não veriam do jeito que eu queria. Mesmo porque até aqui acho que eu sou a intrusa. Uma intrusa que caiu de paraquedas, e que por ser um ser humano passivel de erros, se acha no direito de ser grossa e cobrar algo. Não, eu não devo, só tenho o direito de ficar encolhida nos meus medos, com o coração tão miúdo a ponto de sumir e com a alma transbordando de lágrimas, opaca, escura..... Isso eu tenho direito.

Não sei dizer realmente o porquê é assim quando eu penso nisso e quando eu penso nele. Qual a diferença enorme que me faz? E porque faz?

Talvez minha sina é esta, querer algo que de tão dificil, e que de tão impossivel se torna um atrativo.

Atrativo de dores? O que eu quero pra mim não combina com esta dor. Queria quebrar uma lacuna, queria tanta coisa. E esta tanta coisa não se dá, não se doa.

Só dói.

2.18.2009

Despretensiosa Pretensão


Pretensão é uma palavra relativamente nova para mim, pois aprendi, recentemente, a perceber que ela está embutida, com a cara mais deslavada do mundo, nas entrelinhas da minha "humildade", "compaixão", "prepotência" ou "benevolência". Ser bom não implica necessariamente ser moralmente aceito, de comportamento exemplar e lustroso. Ser bom é ter a cara de pau necessária, é conhecer o direito do outro e agir de forma que sua conduta não contrarie sua própria vontade e nem corrompa o ambiente alheio. Ser bom, não é ser mediocremente submisso, não é enganar para aliviar um sofrimento. Isso é terrívelmente mau. Ser bom é agir de acordo com si mesmo, sem que isso seja colocar o outro num labirinto pré-fabricado de prepotência. E então eu pude ver as duas faces da pretensão. Uma delas pisca para mim cheia de simplicidade e amor próprio, sorridente de altruísmo. A outra? A outra é feia. Cheia de verrugas no nariz, a me fitar de soslaio. Eu sou uma pretenciosa nata. Não tenho um desviozinho de coluna sequer, caminho sempre com os ombros à altura do meu queixo. E também acho que se Jesus deu o ar da graça realmente à Terra, algum dia, com seus pés descalços, foi porque queria mostrar que todos nós podemos ser como ele foi. Eu posso ser Jesus, com outro nome, outro sexo, com filhos ou infértil, loira, negra, fumante ou não, você também pode, isso se você não me disser, antes, que isso é uma heresia. Eu não tenho é a pretensão de convencer alguém com mentiras, achando que sou a picanha mais bem temperada da cozinha, mesmo porque existem milhares de vegetarianos por aí. Mas eu sabendo que sou uma picanha temperada com exclusividade e requinte, dou-me o direito, sem auto-condicionamento, de querer ser tratada como tal. E saber que isso é plenamente possível. Pois há paladares muito mais refinados do que se imagina, por aí. Nós é que somos humildemente conformados. Nos conformamos com a pretensão de sermos "bons" e "pacíficos" passivos de merda. Quantas vezes tampamos a nossa fervura interna, de mudar o caminho, de intervir em algo, de tomar o volante nas mãos e aprender de uma vez por todas a dirigir, ou a pegar um atalho, ou iniciar uma viagem inédita? Sou pretensiosa incorrigível, daquelas que acha que pode mudar o mundo e ainda mais além: que sabe que muda. Assim como qualquer um que acredite nisso de forma espontânea. Sou pretenciosa quando uso a ironia para despir o óbvio, quando pessoas se fazem, propositalmente, de mortas. Sou maravilhosamente prepotente neste ponto. Tenho a preciosa prentensão de eleger a roupa transparente nas minhas relações, e ser quem eu sou pura e simplesmente, porque quero. E tomar tapas absurdamente pesados e receber recompensas singelas por isso. Porque a leveza de me deixar manifestar só compensa o fardo de encarar a raspa de "final de festa à fantasia". A coisa fica feia quando achamos que somos prepotentemente indispensáveis, por declarações abertas ou nossa intuição, ao passar a manteiga saborosa da nossa fé ingênua no pão murcho e sem miolo alheio. Ou ser prepotentemente conveniente em exceder na geléia sobre torradas mofadas. E depois nos eximimos da culpa! Quando guardo minhas lágrimas ou deixo-as rolar, quando dou risada no exato momento ou em momentos inoportunos, quando pareço desequilibrada ou frágil, quando grito ou consigo dialogar, quando me acho a melhor ou a pior mãe, filha, amiga, irmã, cidadã do mundo... Quando erro, quero ser convecida com bons argumentos, para assumir, corrigir ou aprender a olhar diferente. Quando abaixo a ditadura e quando acho que preciso de ordens para me disciplinar. Sou pretenciosa porque escrevo o que penso e ponho a público. É claro que, se espera elogios, mas também prevê-se a crítica. Porque guardar meus pensamentos por vergonha ou imperícia é pretensão de atingir aplausos. Aplausos, quem não quer? Adoro! Pretensão deliciosa. Mas também gosto do silêncio da reflexão alheia. Mas guardar tudo esperando ficar bom é ter a pretensão de ser o próprio mestre daquilo que se pensa ignorar. É a pretensão em não aceitar visões diferentes, muitas vezes, construtivas, pior que isso, não ter curiosidade de saber. Eu tenho a pretensão de não acreditar no destrutivo. Eu quero ser amada, aclamada e não esquecida pelos que amo. Mas não posso subentender que sou essencial para todos. Sou essencial para quem quer, e muito, muito obrigada por este privilégio! Tem muita gente querendo, mesmo que não seja aqui, agora, sob um teto ou sob este exato momento. Sou pretenciosa porque penso que o universo contém tudo aquilo que necessito e molda as peculiaridades de nossas fantasias. E para mim o universo é mais do que uma prateleira de coisas que se pode ter e que se quer. É uma oferta inesgostável de coisas à nossa disposição. Algumas tem um preço para aquisição, e sou pretenciosa no sentido de achar que muita coisa vale o seu preço. E que o preço não é um castigo, mas uma oportunidade de merecer ou reconhecer o valor do que se quer. E sou pretenciosa de achar que mereço. E que também sou capaz de merecer o que nem imagino.