7.14.2010

"Faça o melhor que puder. Seja o melhor que puder. O resultado virá na mesma proporção de seu esforço"
Gandhi

Caminhando pela rua, sentira o frio congelante, aquele mesmo frio que sempre sente ao acordar, mas agora estava o dia todo. Vinha pensando nas sensações, nos fechamentos de ciclos, nas prioridades da vida, nos sonhos de adolescente, na adolescência...

Lembrara da infância, dos primos pequenos e da mesma idade que a sua, ou dois, três anos mais velhos...
Do medo do mar, das ondas, dos castelos de areia, dos passeios, dos parques, do contato com a natureza, dos saltos e pulos, da piscina fria, que não parecia tão fria, do pai acolhedor dando a sustenção, e da mãe o sentido pra uma vida real feita de ilusões. Das brincadeiras de casinha, e dos ciclos que a vida dá para chegar até o esperado por toda criança: ter uma família.

Na maturidade precoce e única de mulher decidida, que sabe da vida, que sabe do mundo, mas que às vezes tem medo de enfretar o nevoeiro.
Da rebeldia concreta da adolescência, e de acreditar no mundo melhor, na liberdade desacerbada, do que era coerente ou não, dando sempre o ponto de vista que lhe cabia. Nunca sendo alheia a si mesma..

Na inteligência e na facilidade e percepção pelas leituras, pelo ilógico, pelo abstrato.
A paixão por Vinicius de Moraes, e por todo amor que houver nesta vida, servindo de retrato as letras, uma a uma, verso a verso, dando um poema, tão lindo, mas tão lindo que ainda se perguntara: Isso pode se tornar real? Isto é amor de livro ou de novela apenas? Será concreto?

Passos largos, sorrisos timidos, olhares cruzando o tempo todo, às vezes baixo...
Tinha uma onipotência em estufar o peito e dizer: "Faço o que quero, faço o que acho certo, isto é a minha personalidade, faço o que tenho vontade, e você não manda em mim... "
Se apaixonara diversas vezes, algumas vezes se deu mais do que recebeu, algumas vezes foi tão integra, algumas vezes se perdeu. E perdeu muito mais se perdendo.

Sofreu de amores algumas vezes, perdeu quilos, perdeu sono, e o ao contrário támbém aconteceu. Brigou com a balança, brigou com o mundo, brigou consigo mesma.
Ouviu diversas vezes aquelas músicas, sonhou com o "príncipe". Achava que a maioria dos sapos eram príncipes.

Se calejou, doeu. Sofreu uma despedida para sempre, se viu esvaziando o peito e se entregando a apatia do amor. Viu seus pés fincados numa plataforma e seus olhos no céu. Pegou bronca e raiva de cortes de fumaça pelas nuvens, achava o norte da Europa um verdadeiro horror. As vidas paralelas se tornaram perpendiculares e opostas. Sul X Norte. América X Europa. Era difícil conseguir sorrir olhando o mapa geográfico.

Quis dar a volta por cima. A ausência da presença. Da presença de alguém que fora importante, mas que não estava mais para sorrir do seu riso. Para tardes regadas aos pés pra cima, edredons revirados, sessões pipocas, bares, restaurantes, almoços de domingo, conversas com familiares. A casa branca com o Rotwailler no quintal nunca foi concretizado, sobrou a casa branca com o gato cinza, e sobrara ali a menina encolhida nos seus medos.
Sensação alheia nunca soubera na exatidão. Talvez tenha sentido falta, pelas inúmeras ligações onde o bina registrava 1111111. Pelos alôs ecoados, pelos choros, e pelos e-mails gigantescos e semanais, ou quinzenais.

Se deu conta que precisara viver, abriu meio caminho, meio caminho pra então suposta "pessoa errada de sua vida".
Colheu o que plantou, se ausentou totalmente de si. Padeceu suas vontades e seu plano de infância. Todo o inverso acontecendo, remoeu. Sofreu mentiras a distância. Pedrificou. Se tornou rabugenta, inconformada, e descrente do mundo inteiro.
O sentimento se tornou efêmero, e entitulou o como: "AMOR ADOLESCENTE".
A despedida veio tardia, mas foi um fim. O ciclo se fechou naquela inicio de ano, após três, quatro anos. Mas o ciclo se fechou.

Limpara lágrimas, limpara coração. Mas o cinza permanecia. Escondia em sua magreza acentuada, atrás de seus cabelos, atrás da braveza destemida uma menina fragilizada, que mais uma vez estufava o peito para dizer que os "Arco-íris nunca mais".

E percebera mais uma vez que é impossível viver só, viver sem amor, viver sem um sentido exato das coisas que poderiam lhe fazer bem. E o medo ali, sempre em primeiro lugar: "PRA QUE? E eu lá preciso de alguém"

Sentia medo de ser feliz. Medo de faltar, de ausências, de renúncias. Medo de não ser aceita pelo que era, medo de não parecer ser boa o suficiente.
Medo de abrir a porta e deixar a pessoa ir a busca de uma felicidade, em busca de materiais.. SIMPLESMENTE MEDO. Apenas seu olhar não escondia nada...

Mas nada nesta vida é definitivo. O destino uniu duas pessoas. A mocinha e o mocinho. Uniu pela igualdade, pelas frases breves, pelas filosofias de vida. Após dez anos. Parecia até mesmo presepada da vida. E era muito bom pra ser verdade.

Amar, aceitar, respeitar, e desejar, na mesma amplitude, na mesma devoção. Reciprocidade era uma palavra que definiria tudo. Tudo e mais um pouco. Amara, fora amada. Desejou o tanto quanto fora desejada, aceitara o tanto quanto aceitava.

Dois pesos, duas medidas, duas pessoas olhando numa única direção. Mostrando que a vida podia ser novamente o misto de cores daquele arco-íris. Sorriu colorindo a vida. Chorou de felicidade. Teve medo da perda no seu total. Sofreu, se sentira as vezes impotente de poder fazer mais. Alivou-se com resultados. Abraçou, amou, beijou numa proporção de intensidade sem tamanho.


Mas em cima do banquinho todo mundo pode cair, colocar uma escada em cima do banquinho pode causar um tombo catastrófico... "Incomparavelmente, único, encantador, apaixonante, eu amo você...(silêncio), eu também."
Amores incondicionais, palavras ditas com o coração, com a alma...
Tudo andou rápido demais. Rápido demais porque era intenso. A menina abriu seu coração tão frio, para se doar e dar amor, e para recebê-lo. Nem sabia o porquê desta intensidade, nem tentava mais entender, apenas sentia. Plena, sincera.. INTEIRA e INTEGRA.

Mas nunca houvera de fato ali, a aceitação por completo, só de um lado do tabuleiro.
E entre você x preconceito familiar + alguma coisa que ela nunca soubera de fato. A renúncia: para a menina; a escolha da corda: ficou para a 2ª opção. E mais uma vez ausência, e mais uma vez desamor, e mais uma vez solidão, não apenas de uma pessoa. Mas sim de planos concretos, sonhos..

Há necessidade do fechamento de ciclos. Mas a menina ainda está lá, presa ao abril despedaçado.


"Não há porque desistir... desde que você faça e seja o melhor que puder..."

Um comentário:

Talles disse...

Emocionante!
Identifiquei muito de mim nesse texto, Vivi.
Sei que é difícil, sei que para mim está sendo difícil tambem. mas não deixe que sua boa essência se perca por conta das marcas que carrega.

Te adoro!
Beijo!